segunda-feira, 9 de agosto de 2010

1ª Expediçom, uma viagem ao mundo das cervejarias.

Sucesso absoluto a 1ª EXPEDIÇOM (Expedição Etílica do Seu Garçom) levou um grupo de intrépidos amigos a uma viagem por pequenas fábricas de cerveja na região de Blumenau (SC).
Além do valioso aprendizado sobre como se fabricam os diversos tipos da bebida, ao final de cada visita os participantes puderam degustar, diretamente da fonte, o líquido precioso.

Wunder Bier - Blumenau, Schornstein Bier - Pomerode, Das Bier - Gaspar e Cervejaria Eisenbahn em Blumenau foram as fábricas visitadas.


























































































































quinta-feira, 13 de maio de 2010

De como a Hebe Camargo começou a matar o Jamelão

Por Sandro Moser
O leitor que bebe chope no balcão do Seu Garçom sabe quem foi Madame Satã. Mesmo assim, cabe um paragrafo biográfico. Satã era cozinheiro, capoeirista, malandro, travesti. Habilidade invulgar no manejo da navalha. Personagem lendário do tempo da Lapa dos cabarés. O mais assiduo inquilino do presidio da Ilha Grande. Entre idas e vindas puxou lá mais de 37 anos.
Entrou pra história da música brasileira por conta de um triste episódio. Consta que numa tarde, em meados dos anos 50, adentra à copa do bar Capela o grande sambista mangueirense Geraldo Pereira. Motorista de caminhão com fama de valente e gênio do samba sincopado. Há quem diga que o autor de falsa baiana inventou a bossa nova. Pois bem. Pereira já chegou triscadou e avistou Satã no balcão. Passou a provocá-lo, a chama-lo de viado e a coisa foi ficando mal parada. Os dois valentes saíram na mão. Satã era imbativel naquela época e o Geraldo mamado acabou levando uma surra. Bateu cabeça e costelas no meio fio. Levado à assistencia, Geraldo Pereira morreu dias depois de infecção generalizada. Negligência médica a partir dos ferimentos. Satã ficou com a culpa eterna de sua morte.

Contei-vos esta passagem pois os senhores sabem que a história se repete como farsa. 50 anos depois, outro extraordinário sambista mangueirense começou a sucumbir em um episódio fatalmente semelhante. José Bispo dos Santos, o Jamelão, o crooner eterno da Orquestra Tabajabara. O maior cantor do Brasil. Se fossemos um país sério Jamelão teria vivido bilionário com um cassino só pra ele no bairro da Glória. Infelizmente meu idolo, já no inverno de seu tempo, precisou enfrentar madame tão satanica quanto a que golpeou o seu confrade Geraldo. Vejam o video.

http://www.youtube.com/watch?v=5roQFEHkvY8

As imagens, às vezes, falam mais que as palavras. Dois dias depois do show em que ele relembrou o episódio a manchetes da folha trazia seu santo nome.

Jamelão é internado em São Paulo após sofrer derrame
Folha Online
O cantor e compositor Jamelão, 93, famoso intérprete da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, foi internado na última quarta-feira, em uma clínica médica de São Paulo, após sofrer uma isquemia, popular derrame.

A partir deste acidente, sua saude só fez piorar até o grande adeus. Da mesma maneira que há uma imprecisão histórica em dizer Madame Satã matou Geraldo Pereira, não dá pra levar a dona do sofá a juri popular pela morte da nossa voz mais alta. Mas, também não se pode negar que a centelha diabólica da morte foi lançada por duas sacerdotisas do mal sobre os geniais crioulos. Sim. Hebe Camargo foi a Madame Satã no caminho do Jamelão.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O dia em que o Estado Novo vaiou Carmen Miranda


Por Sandro Moser
Uma multidão esperava a chegada do vapor Argentina nas docas da Praça Mauá, Rio de Janeiro em 10 de julho de 1940. Carmen Miranda voltava ao país, depois do retumbante sucesso da temporada do musical Streets of Paris, apresentado em várias cidades norte-americanas . Carmen, sempre ao lado do Bando da Lua, fazia o numero final. Consta (os dados são de Ruy Castro, biografo definitivo da cantora) que ela e o bando fizeram 412 apresentações no primeiro semestre daquele ano, numa média de 2,2 shows por dia.
A reentré de Carmem porém, se transformou num acontecimento oficial do Estado Novo, (a fase ditatorial e facistóide do governo Getulio Vargas )com cerimônia organizada pessoalmente por Lourival Fontes, há época coordenando o DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda.
Para o extrovertido nacionalismo do regime tratava-se da volta de uma “patrícia” que tinha alcançado a glória em território estrangeiro, elevando o nome do país. O governo pegava carona no sucesso de Carmen, cobrando a conta pelo fato do Itamaraty ter providenciado as passagens da ida aos EUA para o Bando da Lua.
Se na triunfante temporada de estréia Carmen Miranda tinha recebido o epíteto de brazilian bombshell (algo como a “granada” brasileira), em 1940, na Europa, outras bombas e granadas explodiam. O exercito nazista que estava passando o rodo em meio continente. Em 14 de maio ,caiu Paris e logo começou o bombardeio a Londres.
No Catete, atrás de uma “neutralidade” oficial a face mais nacionalista do Estado Novo mostrava seu sorriso perverso. Num famoso discurso Getúlio celebrou o fim de uma era (a antiga Europa) saudando os novos tempos: “Passou a época dos liberalismos previdentes”.
Neste momento, a Alemanha já era o maior parceiro comercial do Brasil. A metalúrgica Krupp acabara de aceitar os termos para a construção da CSN. A elite brasileira (parte dela, ao menos) não escondia a sua simpatia ao Reich, virtual vencedor do conflito mundial.
Foi neste cenário que Carmen retornou. Seu objetivo - declarado a imprensa logo na escadaria do navio – era rever os amigos e descansar.
Ocorre que a primeira dama Alzira Vargas tinha outros planos. Dona Alzira era a coordenadora de um projeto filantrópico (a ser construído na Baixada Fluminense) chamado a Cidade das Meninas. Carmen foi gentilmente “intimada” a estrelar um jantar black-tie no cassino da Urca em beneficio do tal projeto. Mesmo a contragosto a “pequena notável” topou – o motivo era nobre e as adesões se dariam pelo extravagante preço de 100 mil réis.
Cassino da Urca lotado de fraques e decotes no dia tal 15 de julho de 1940. A famosa orquestra de Carlos Machado no acompanhamento. O speaker César Ladeira anunciava a épica trajetória de Carmen na América do Norte (que já deve ter ferido alguns ouvidos) e a apresentou. A partir daí a coisa não andou bem. Quem conta é Ruy Castro.
“... Carmen dirigiu-se a platéia em inglês:
Good Night ao invés de sua clássica saudação (e muito mais dela): _ “Oi, macacada”.
Não houve grande resposta.
Depois, Carmen e o Bando apresentam os números que tanto faziam sucesso nos EUA. Eram algumas canções satíricas, em inglês macarrônico, com um ritmo diferente dos nossos sambas e marchas (dos quais eles estavam afastados fazia mais de um ano) e que lembravam mais os ritmos caribenhos que compunham o estereótipo latino que consagrou Carmem.
Num primeiro momento houve silencio. Depois, um muxoxo irritado que se transformou numa pequena vaia.
Carmen saiu indignada. Viajar tanto para ser vaiada “em casa”. Na platéia uma única certeza – a cantora que se apresentou não era mais a mesma. Estava “americanizada”. Mas pra quê tanto veneno pra cima de Carmen?
Entre tantos motivos (Carmen estava gripada, não havia ensaiado. A escolha do repertório foi um tanto infeliz), o principal era que aquele não era o seu público. Na verdade, Carmen não sabia, mas estava cantando para o Estado-Maior da ditadura Vargas. Pessoas como o interventor do Estado do Rio, general Ernani Amaral Peixoto. Como o General Dutra, o ministro Gustavo Capanema, o famigerado Capitão Felinto Mueller e toda uma pequena multidão de áulicos e pelegos que os seguia e sustentava.
Todos vivendo o auge do flerte com o nazismo e torcendo o nariz para a ascensão americana no teatro da Segunda Guerra. Estas pessoas alugaram roupas e pagaram uma fortuna para assistir o show e colaborar com os propósitos da família do ditador. Acabaram vendo um espetáculo “inimigo”, com a Urca praticamente se transformando num palco do circuito off-Broadway. E, nesta noite, vaiaram a mais importante artista popular do país.
A questão é que Carmen voltou para a América e para o sucesso mundial, O 3º Reich acabou e logo depois a Ditadura Vargas. A CSN foi implantada com capital americano e o projeto da Cidade das Meninas não saiu do papel. Os EUA “ganharam” a guerra e o prédio do Cassino virou a sede da TV Tupi.
Deste estranho episódio ficou apenas o delicioso samba de Assis Valente que nos assegurava que Miss Miranda era brasileira na batata, sim senhor. E que na hora das comidas ela ainda era mais do camarão ensopadinho com chuchu.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Ultimas Palavras

por Sandro Moser
Escrever é fácil, difícil é fazer anotações disse o Ivan Lessa. Eu mesmo sou do que anota e guarda pedaços de papel com inicios de sonetos, chaves de ouro, guardanapos de boteco com anotações de toda sorte. Sempre geniais ao sangrar. Frustrantes e ininteligíveis no dia seguinte. Além de toda papelada inútil, guardo com zelo farto material que envolve gibis antigos, cadernos de tempos passados, revistas que não mais circulam, capas de disco vazias, álbuns de figurinhas incompletos, rótulos de cerveja que ninguém mais se lembra... Ou seja, todas estas coisas fundamentais na vida de um homem.
De quando em quando é bom fazer uma visita a este arquivo X, que guarda tudo o que há de mais sórdido e escondido na alma da gente. O nosso lado bom. Dia destes (hoje, inclusive) dei de cara com uma antologia de ultimas palavras. Os derradeiros suspiros – comprovadamente - pronunciados por figuras de vulto da história no ultimo leito.
Por anterioridade e influencia lembre-mo-nos de Sócrates (399 a.C). Do alto de toda a sua sabedoria teria dito ao amigo Crito, segundos antes do ultimo gesto: “Eu devo um galo (o bicho , não a nota de 50) a Eclépio; você vai se lembrar da dívida?” . Simplicidade socrática. Nada como Nero (68 d.C) que, imodestamente, lamentou: “Que grande artista o mundo vai perder” Verdade que as fontes não são lá confiáveis, passados tantos anos. Há outras versões.
Como também há duas versões para as ultimas do poeta Rabelais ( 1553): “Desçam as cortinas, a farsa acabou”. E a outra : “ Estou indo para o grande talvez” . Qualquer uma cairia bem. Voltaire (1778) não filosofou no pé da cova. Foi apenas rabugento: “Me deixem morrer em paz”. Seu compatriota Diderot (1784) por sua vez parecia estar numa conferência: “O primeiro passo rumo à filosofia é a incredulidade”, e assim o enciclopedista apagou.
As mais celebres são as de Goethe (1832): “Mais luz”, pediu , antes de descer a treva eterna. Outro alemão genial, Hegel (1831), a segundos de desencarnar foi alemão e pessimista: “Só um homem conseguiu me entender...e ele não me entendeu direito.”.
O farewell de James Joyce(1941) também foi nesta linha “ Será que ninguém entende ?”
Há os que desdenham a indesejada, como o historiador escocês Thomas Carlyle (1881) : "Então morrer é isso? Ora...” e mais não disse, nem lhe perguntaram.
Há ainda os que parecem finalmente entender tudo como Henry James (1916) : “ Enfim as coisas distintas...”. Parece que Tolstoi (1910) morreu babando, Hendrix (1967) afogado no próprio vômito e DH Lawrence (1930) chamando a enfermeira. Nada digno de anotação.
Contam também que o bruxo do Cosme Velho se mostrou satisfeito aos 45' do segundo tempo. “A vida é boa” teria sussurrado a José Veríssimo, para depois virar pro lado e dormir. Graciliano (1953) foi mais realista que Machado (1908): “Estou acabado”.
Mas em matéria de descer a mansão dos mortos nada como o Isidoro (2004), que bebia ali no Bar do Dante. O adeus me foi contado em primeira mão pelos amigos que o acudiram, em vão, após o atropelamento. . Seu Isidoro ao ver que o infinito o esperava e esticar o pernil, ainda fez uma ultima pilhéria : “ Fecha a minha conta...”.
Superado apenas pela batida de botas de José do Patrocínio (1929), político brilhante e grande gozador, lembrada pelo Sérgio Augusto numa remota edição de Bundas – que se perdeu (a revista) pelo nome. Zé do Patrocínio foi longe. Transcrevo o texto que saiu na edição 21: “ ... condenado pelos médicos a tomara leite humano, pois nada mais o apetecia, à primeira demosntração de dificuldade da enfermeira para por uma colherzinha o leite extraído dos alvos e belos seios de uma ama seca, Zeca abriu um olho e sugeriu: _ Doutor, não seria melhor eu mamar? – e nem sequer para mamar abriu mais a boca”.

terça-feira, 20 de abril de 2010

PIXINGUINHA E O CHORO

Por Sandro Moser

Grande a responsabilidade de escrever sobre Pixinguinha. Até por que, uma hora ou outra, faz-se necessário lembrar a insuperável constatação de Ary Vasconcellos, escrita nas primeiras linhas de seu Panorama. Então que vá de primeira aqui também: "Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: Pixinguinha”. E mais não precisariamos, mas, vamos lá.
Saxofonista, flautista, compositor e arranjador, Pixinguinha criou e levou às ultimas consequencias o que são hoje as bases da música brasileira. O grande professor Nei Lopes compara o compositor de Ramos a Bach “na arte da polifonia e do contraponto”. Vinicius de Moraes (que fez uma letra meio gaiata para o grande choro “Lamentos) dizia que se pudesse escolher teria nascido Pixinguinha e Jobim o considerava santo.
Elegantissimo cavalheiro do Rio antigo, de um Brasil que não existe mais. Grande apreciador de aguardente, que bebia durante dias sem perder a classe. Foi o primeiro maestro contratado por uma gravadora – A Victor Talking Machina - no Brasil. Sem dúvida o mais inspirado arranjador do torrão.
Instrumentista completo, dominava com sensibilidade a música dos primeiros chorões e também os ritmos africanos, estilos europeus e música negra americana. Pixinguinha botou na pauta praticamente todos os principais sucessos da chamada época de ouro da MPB, orquestrando de marchas de carnaval a choros. Escreveu cerca de duas mil músicas, algumas das mais bonitas compostas por homens nesta terra de Deus.
Não ficou rico com sua música, ao contrario de alguns editores aqui no Brasil e no exterior. Das flores que recebeu em vida, o máximo foi ver o nome da rua onde morava no bairro de Ramos mudar para Rua Pixinguinha. Além do convite do presidente Juscelino para almoçar com Louis Armstrong, seu irmão musical de New Orleans. Satchmo aprendeu a beber cachaça e descobriu que era filho de Ogum.
Numa inesquecível tarde em 2007, participei da exposicão Pixinguinha no Instituto Moreira Salles, ali na Gávea perto do Jockey Club do Rio. Participei é modo de dizer. Na verdade eu tomei umas seis cervejas e uma pinguinha e fui ali, como quem não quer nada, conferir a mostra que conta com documentos raros sobre o artista como o contrato com a Victor , além de partituras, fotos e objetos pessoais como a caneta-tinteiro, a palheta e a flauta sagrada.
Vi pela primeira vez o filme "Pixinguinha e a velha guarda do samba", um registro de Thomas Farkas realizado em 1954, no qual o artista aparece tocando ao lado de Almirante, Donga, João da Bahiana e outros nos festejos da comemoração do quarto centenário da cidade de São Paulo. As imagens são as únicas em movimento conhecidas de alguns dos maiores musicos do Brasil. Dá pra ver aqui no tubo. Recomendo ao amigo, mantenha uma bebida por perto porque você pode estar certo que vai chorar.
http://www.youtube.com/watch?v=m1uU8I0g4oI
Pequena Biografia - Segundo depoimento dado pelo músico ao Museu da Imagem e do Som, e que se pode ouvir no site do Instituto Moreira Salles: "Meu nome completo é Alfredo da Rocha Vianna. Nasci em 23 de abril de 1898, no bairro da Piedade. A rua não posso precisar. Para o meu irmão Léo foi na Rua Alfredo Reis, mas para o João da Baiana e o Donga, foi na Rua Gomes Serpa. O número da casa ninguém sabe ao certo. Só vendo o registro de batismo feito na Igreja de Santana. Meu pai chamava-se Alfredo da Rocha Vianna e minha mãe Raimunda da Rocha Vianna. Meu irmão Léo acha que o nome era Raimunda Maria Vianna".
Nem o irmão, e também nenhum biografo ou pesquisador consigou resolver a controvérsia do ano de nascimento de Pixinguina. O que importa pouco, pois o bonito é que o dia de seu nascimento – dia 23, sexta que vem - é lembrado como o Dia Nacional do Choro. Sabemos é que foi musico prodigio. Com 11 anos se apresentava nos cinemas, com as orquestras que tocavam durante a projeção dos filmes mudos, e em peças do teatro. Suas primeiras gravações foram feitas entre 1914 e 1918.
Em 1919, o gerente do Cinema Palais, na Cinelândia contratou Pixinguinha e seu grupo "Os Oito Batutas" para tocar na sala de espera do cinema. A banda caiu no gosto do público, apesar de alguma restrição da imprensa que fazia críticas de caráter racista. O repertório era composto de modinhas, choros, canções regionais, desafios sertanejos, maxixes, lundus, corta-jacas, batuques e cateretês.
Com o sucesso, o grupo viajou o Brasil até que de volta ao Rio, em 1921, foram tocar no Cabaré Assírio, no subsolo do Teatro Municipal. Lá, conheceram o milionário Arnaldo Guinle, que patrocinou a turnê européia dos Oito Batutas. A temporada, que deveria ser de um mês, acabou durando seis e e a partir daí o Brasil e a musica nunca mais foram os mesmos.
Pixiguinha foi funcionário da prefeitura do Rio desde 1930. Em 1951 passou a ser professor de música e canto orfeônico, nomeado pelo então prefeito João Carlos Vital. Até se aposentar, foi professor em várias escolas, além de maestro da Companhia Negra de Revista, onde conheceu aquela que seria sua companheira, Dona Béti, por toda a vida.
Em 17 de fevereiro de 1973, Pixinguinha teve seu segundo enfarte, enquanto batizava seu afilhado. Apesar de ter sido socorrido às pressas, faleceu aos 74 anos.
O “menino bom não faz chorinho” - Dia desses a Folha de São Paulo lançou, depois das coleções sobre o jazz e a bossa-nova, um dos volumes da coleção de livros-CDs “Raízes da Música Popular Brasileira” cujoo tema era Pixinguinha. Excelente iniciativa, apesar de alguns pesares que ficam para uma próxima ocasião.
O que chamou a atenção, pelo menos a minha e a de alguns amigos e em especial do onipresente Nei Lopes ( este homem fatal) foi a repetição de alguns chavões equivocados nas matérias de divulgação dos discos.
Coisas que os jornalistas sempre fazem e que cansam um pouco quem gosta e principalmente que faz e vive da musica. O clássico é dizer que Pixinguinha foi “um dos maiores nomes do chorinho (sic) brasileiro”, e que seu apelido significava “menino bom”, no “dialeto” natal de sua avó africana.
Bom, vamos por partes. Don Alfredo Viana Filho, fundador da moderna linguagem musical brasileira, um dos maiores musicos populares do mundo, dedicou-se a vários generos e não apenas ao estilo de interpretação conhecido como “choro”. Algumas variantes do choro em andamento acelerado, na verdade sambas, é que ganharam o apelido hipocoristico, meio mandrake de “chorinho”. Uma forma de paternalizar e diminuir o nosso grande genero.
O choro é aquela musica celestial formada musicalmente em ambientes como esquinas enluaradas ou quintais, onde as pessoas se reunem para tocar juntas. Pixinguinha desenvolveu “rara inventiva melódica no choro e utilizou processos técnicos de sua formação erudita como progressões, polifonias e contrapontos”, tão bem elaborados que até hoje confundem aqueles que gostam de olhar de cima a música popular. Não me venham com esta de “rei do chorinho.
Quanto a origem do apelido me socorram, pela ultima vez, do Nei Lopes que nos conta que: “ na biografia desse mestre, consta um episódio de infância em que ele, por sua exacerbada gulodice, diante da apetitosíssima cozinha familiar, ganhou o apelido de “carne assada”, por ter surrupiado, da mesa, um pedação e ido comer escondido no quintal.
Vem daí, certamente o nome artístico com que passou à História. A língua (e não “dialeto”) do povo Ronga, de Moçambique, registra o vocábulo psi-di, exatamente com o sentido de “comilão” (cf. R.Sá Nogueira, Dicionário Ronga-Português, Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1960, pág.419). E foi com ele que a avó africana rebatizou o netinho, nascido apenas 10 anos após a abolição da escravatura no Brasil.
Que Pixinguinha foi um homem bom, todos nós sabemos. Porém, com aquela carinha de santo, mas cheio de apetite, deve ter sido um moleque “do cu riscado e da beirada carijó”, como diziam os pretos velhos do Irajá, naquele tempo carinhoso, divino e majestoso, em que o choro rolava debaixo da mangueira.

Kantor e Rodrigo, os campeões do 1º Torneio de Sinuca do Seu Garçom

Numa final disputadíssima Kantor e Rodrigo faturaram os 100 chopps de prêmio do 1º Torneio de Sinuca do Seu Garçom. Parabéns a dupla.
As inscrições para o segundo torneio, que começa 3 de maio, já estão abertas no balcão do bar.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

1º Torneio de Sinuca do Seu Garçom, estes são os finalistas

Na próxima 2ª feira (19 de abril) será realizada a final do 1º Torneio de Sinuca do Seu Garçom. As duplas de atletas finalistas Kantor/Rodrigo e Morcego/Bacalhau estarão disputando 100 chopps e um troféu.